terça-feira, 1 de junho de 2010
Termos enfermos
6/01/2010 11:42:00 PM
Lapso
Ninguém notará quando eu partir, ninguém saberá o que aconteceu, sentirão falta por no máximo sete dias, após isso serei apenas cinza, como sempre fui e como continuo sendo. A verdade é que me cansei de tudo, da minha vida mal resolvida, de dar trabalho para minha mãe, de ser uma merda para o meu pai. Cansei de ser a irmã ausente e ser a amiga não tão esforçada, de ser o amor complicado... Cansei de ser a pessoa que eu sou e de ter que expressar isso tudo somente em palavras, pois as ações que deveriam ser tomadas ficam apenas presas em correntes aos pés da minha cama e eu mal consigo levantar. É verdade, eu cansei.
Cansei da falta de reconhecimento. Cansei do falso moralismo com o qual se dirigem a mim, cansei da vida parada, cansei de tentar mudar. Cansei de querer o bem, de dar conselhos, de tentar ajudar e principalmente de me prejudicar. Essa está sendo uma das mortes mais difíceis para mim, e quando falo de morte, digo da morte interna, dessa que destrói por mil vezes e faz renascer outra vez. O problema é voltar como outra coisa diferente, como alguém falho. Não cansei por um mínimo grão de areia, cansei por mil ossos gigantes que caem todos os dias sobre as minhas costas e eu faço o favor de agüentar como se fosse mais forte que qualquer pessoa do mundo, e ninguém faz a mínima questão de colocar um dedo para segurar... Um dedo! Não peço mão, não peço braço e não peço que segurem tudo. O problema de muita gente é achar que por eu ser tão convicta das minhas idéias, quer dizer que sou forte o bastante para agüentar qualquer coisa, e eu não sou.
Honestamente, cansei de bombas jogadas em mim como se eu pudesse desativá-las, ou até como se eu pudesse agüentar qualquer explosão. Eu tenho meus limites, ao contrário do que muita gente deve pensar, eu não sou de ferro e não fui feita para suportar qualquer coisa. Uma dor ou outra não faz mal para ninguém, mas a responsabilidade de reger tudo isso sozinha, sim. Eu não digo isso de uma pessoa só, digo de várias, mas eu não preciso citar nomes e nem preciso que isso aqui sirva para alguém. Fato é que hoje, exatamente hoje, precisei chegar nesse estado que estou... Embriagada por mil fraquezas com vontade de fazer mil coisas loucas, mas ainda consciente o suficiente para saber que seria idiotice e para saber que eu já estou morrendo por dentro junto aos meus últimos suspiros. O coração dói e o pulmão também – isso não tem nada a ver com os cigarros – minha cabeça parece derreter, meus olhos parecem apagar. Eu sinto que não existo tanto quanto eu existia antes... Não existo como eu existia alguns meses atrás. Ainda que eu precise desabafar, eu me sinto mal por saber que todos agora sabem que estou morrendo de uma doença pouco comum... Amor pelas pessoas.
Faltou alguém para me dizer esse tempo todo:
– Deite-se no meu colo e descanse um pouco. Eu te assisto dormir e não permito que nada ruim aconteça enquanto repousa e recupera tuas energias.
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